quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Grandes figuras do País já inspiraram as coleções do estilista mineiro. O toque popular já apareceu através de Nara Leão, Carlos Drummond d...

Moda e memórias

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Grandes figuras do País já inspiraram as coleções do estilista mineiro. O toque popular já apareceu através de Nara Leão, Carlos Drummond de Andrade, Zuzu Angel e tantos outros nomes que deram cara a diferentes momentos da carreira de Ronaldo. 

E ele é direto ao dizer que sua inspiração vem de papos que tem por aí, viagens e acontecimentos do dia a dia. Para ele, a passarela deve levar muito mais do que referências de moda: o essencial é que o desfile seja um mergulho cultural. Contar histórias, unindo suas memórias aos autores e personagens preferidos, é ponto essencial em seus fashion weeks. 

A literatura foi ponto de partida da sua coleção atual. O estilista trouxe ao SPFW as delicias e as dores do amor com um toque poético feito sob uma interpretação única, muito além da linha e da tesoura. “Os problemas não estão mais centralizados no Oriente Médio, eles estão na porta da nossa casa. As fronteiras ruíram, então precisamos de amor” explica ele. Pensando em tudo de forma inspiradora, este desfile encheu o ambiente de sentimentos dos mais nobres, já que ele pensa em tudo para compor a cena de sua história; até a música deve conversar com a roupa. 

Rompendo limites Ronaldo gosta da expressão das coisas simples, faz moda inspirado no cotidiano que o rodeia, desprezando tendências e modismos. 

Muito além da criação de roupas, ele também é autor dos livros “Moda, Roupa e 

Tempo: Drummond selecionado e ilustrado por Ronaldo Fraga” e “Caderno de Roupas, 

Memórias e Croquis”, e é também um reconhecido palestrante. 

Além dos o multitalentos, também ilustrou vários livros, como “Mary Poppins” e “Uma festa de cores: memórias de um tecido brasileiro”, e produz exposições que passeiam perfeitamente entre o mundo da arte e moda brasileira. 

Tanto conceito representa tão bem o estilo Profashional, que ele esteve presente na edição número 0. Isso é Ronaldo Fraga! 

Profashional desde a edição zero, o estilista nos atendeu para um papo descontraído, inteligente e inspirador. Como não amá-lo? 

Profashional: Para você, produção vai além de looks e desfiles. Sabemos que você não segue tendências e coloca em prática o que está na sua cabeça. 

E por onde andam seus pensamentos atualmente? 

Ronaldo Fraga: A moda é uma página em branco que se conta colocando os pingos nos Is. Gosto de me instigar onde estão as respostas. Já fui duas vezes para a África e estou lendo muito sobre ela. Então, minha cabeça está por lá. 

P.: Você já tirou da lista da vida muitas coisas. O que ainda gostaria de alcançar? 

R.F.: Hoje queria ter mais tempo para escrever 

e desenhar. Acordo todos os dias às 4 para criar. Então, meu desejo é ter mais tempo para o ócio, sem culpa! 

P.: Como você vê a moda Made in Brazil atualmente? 

R.F.: A indústria brasileira está terrível; nos últimos 10 anos, parece que demos 10 passos para trás. Temos taxas e sobretaxas de impostos, então produzir aqui é muito caro. Costumo brincar que hoje temos um sócio, que é o governo, e 60% de tudo o que produzimos vai para ele. Com essa “sociedade”, fica difícil manter a sanidade e fazer a poesia sobreviver. É com tristeza que vejo amigos encerrando atividades e com a mesma tristeza vejo novos estilistas fazendo cópias de fast fashion para poderem sobreviver e entendo isso, mas não fico feliz! 

P.: Sabemos que você dá muita importância ao avesso das peças e cria pensando na beleza de dentro para fora. 

Por quê isso? 

R.F.: Eu nunca levantei bandeira da referência cultural mineira. Isso acontece com o tempo, mas se existe alguém que gosta de valorizar o que está guardado e bebe desta fonte diariamente é o mineiro. 

Gostamos do avesso, de estar impecável e isso vem das costureiras da região que fazem as roupas das famílias há anos. Isso é a cultura mineira!



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